A Peste Negra foi uma pandemia que grassou na Europa e na Ásia entre 1347 e 1350, e cujos efeitos perduraram por muitos séculos.

Desde o século VI, o tempo da Peste de Justiniano (541-542 d.C.) que a Europa não conhecia uma grande epidemia, e as populações foram apanhadas desprevenidas.

Infograma com a história das pandemias

Pensa-se que a origem da peste poderá ter sido a zona dos Himalaias, tendo-se difundido pelo império Mongol. Sabe-se que os tártaros atacaram a colónia genovesa de Caffa em 1347, e nessa altura catapultaram corpos com peste para dentro da cidade, como era costume na guerra de cerco. Daí a peste terá sido transportada por refugiados para a cidade de Constantinopla, e posteriormente para todo o ocidente por via marítima. A Sicília e a cidade de Génova terão estado entre as primeiras a ser atingidas.

Mapa com a hipótese mais provável de propagação da Peste Negra na Europa entre 1346 e 1351.

A Peste Negra foi uma das pandemias mais mortíferas às quais a humanidade sobreviveu. Estima-se que no início do século XIII a Europa tivesse cerca de 75 milhões de habitantes, e que nos meados do século XIV, essa população pudesse ter retraído para os 35 milhões.

Infograma da Peste Negra

Na época, a peste era atribuída maioritariamente à ira divina para punir comportamentos desviantes, a vida dissoluta e o pecado.

Todavia, hoje sabemos que a peste foi causada por uma bactéria transmitida através de picadas de pulgas de rato, que quando contaminadas com a bactéria se tornavam de tal forma agressivas, que picavam os humanos.

A propagação da peste e a sua alta taxa de mortalidade beneficiou das concentrações de população os meios urbanos e o desconhecimento generalizado de cuidados higiénicos.

Iluminura medieval, de um homem com bobões a tomar banho.

A peste tinha três variantes conhecidas, a variante bubónica caracterizada pela inflamação dos gânglios linfáticos, a pulmonar e, mais raramente, por septicemia. A nome da peste deriva de as extremidades do corpo dos enfermos poder sofrer de gangrena e como tal ficarem negras.

Durante este período apareceram os chamados “doutores da peste”, charlatães que aplicavam sangrias entre outros métodos duvidosos. Estes indivíduos facilitaram a propagação da peste, em vez de ajudarem a erradicá-la.

A partir do século XVII, inspirados pela teoria miasmática, ideia pela qual todas as doenças tinham origem nos miasmas, odores fétidos relacionados com carne em putrefação, os “doutores da peste” passaram a usar um traje particular, que oferecia proteção contra os referidos miasmas.

Imagem explicativa do traje dos “doutores da peste”

Recomendações de leitura e filmes

Em tempo de confinamento recomendado (ou obrigatório para alguns), recomendamos algumas leituras e alguns filmes, que podem ajudar a ilustrar, a compreender e a aprofundar a temática das epidemias:

Num registo de divulgação científica, recomenda-se o volume terceiro de A Idade Média, de Umberto Eco. Para leituras mais clássicas, A Peste, de Albert Camus; ou ainda a desconcertante metáfora social de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira.

Nos filmes, um filme de 2011 que se aproxima terrivelmente da realidade experienciada em 2020, Contágio, de Steven Soderbergh (https://www.imdb.com/title/tt1598778/?ref_=nv_sr_srsg_0) e O Físico, uma adaptação do romance de Noah Gordon (https://www.imdb.com/title/tt2101473/?ref_=nv_sr_srsg_0).

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